EX-DIRETOR-PRESIDENTE DA LIGHT ABORDA OS PRINCIPAIS DESAFIOS DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO


Paroli acredita que governo está segurando gastos para garantir sobrevivência

Com a crise financeira que assola o Brasil, o novo governo vem fazendo ajustes em diversos setores. Um que pode ser afetado é o ministério de Minas e Energia. O ex-diretor-presidente da Light, Luis Fernando Paroli, falou um pouco sobre esse momento.

Com os contigenciamentos do governo, o setor elétrico pode sofrer consequências drásticas?  

- Qualquer ente quando passa por uma crise precisa fazer algum tipo de ajuste. Não é a solução do problema. Você faz o ajuste para que haja condições de sobrevivência até que tenha a condição de implementar uma nova forma de atuar e traga sustentabilidade ao longo do tempo. Acredito que o que o governo está fazendo é segurar os gastos para garantir uma sobrevivência, e, a partir daí, implementar políticas que gerem desenvolvimento para o país, além de emprego e renda. É o que a gente espera. É uma fase que precisamos passar.

Quais são os próximos passos?

- O que acho é que o governo precisa tentar nos mostrar qual é o futuro que ele imagina. Quais são os planos? Qual a estratégia para que a gente tenha um desenvolvimento adequado? O que sinto mais falta é o direcionamento estratégico e sua clareza. Obviamente, no setor elétrico, isso terá algum efeito. O governo imagina, pelo que analiso, que algumas privatizações são importantes, são fundamentais. E eu acho que, em alguns casos, que estão em andamento como, por exemplo, das distribuidoras, é preciso analisar. Não existe realmente uma competição entre uma distribuidora e outra e não existe uma concentração de poder muito grande da distribuição. Acho que não há a menor dúvida e precisa ser executado rapidamente para que a gente possa levar energia de qualidade para todos os brasileiros. As discussões que existem dos outros setores, principalmente de geração, com algumas usinas muito grandes, que podem afetar o mercado de maneira significativa, como por exemplo, Belo Monte, Santo Antônio, Jirau. Quando você entra em um mercado competitivo, uma empresa totalmente privada, há que se criar uma regulação que possa controlar a forma de atuação dessas empresas.

E como visualizar o sistema ideal?

- Na verdade, na minha opinião, não existe o sistema perfeito. Existe a execução do que se acredita como sendo o melhor sistema. Então, tão importante quanto você tomar a decisão estratégica adequada é o que você faz para diminuir todos os riscos inerentes à aquela decisão estratégica, de maneira com que ela seja realmente a melhor decisão. Talvez, em muitos momentos, a gente perca nosso tempo discutindo se o modelo melhor é esse ou aquele, mesmo depois de escolhido esse modelo, e deixa de se preparar para que aquele modelo seja a escolha correta. Isso vale tanto para o país, quanto para as empresas.